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Coronavírus e a economia: o que tem feito as fintechs?

Os números de novos casos de pessoas infectadas com o coronavírus, Covid-19, aumentam a cada momento. Refém de um inimigo invisível, o mundo mudou a sua rotina para tentar evitar o avanço da pandemia. No Brasil, com a rápida evolução da doença, principalmente em São Paulo, o governo decretou uma quarentena no estado até o dia 7 abril. A decisão impactou no fechamento de diversas empresas, cujos serviços não são considerados essenciais para a população, impactando diversos trabalhadores e setores, inclusive as fintechs.

Inicialmente, em fevereiro, o governo federal falava em impacto de menos de um ponto percentual no crescimento previsto para algo em torno de 2% do PIB. Agora, o governo já cortou sua projeção oficial de 2,1% para 0,02%. Analistas e pesquisadores apontam que por conta da pandemia, o Brasil pode enfrentar um recuo da economia em um patamar que lembra a crise financeira de 2008 e a greve dos caminhoneiros em 2018.

Segundo estudo da Fundação Getulio Vargas, o PIB brasileiro pode recuar 4,4% em 2020. Para o banco Itaú, se a economia brasileira sofrer uma paralisação tal qual ocorreu na China durante as quarentenas impostas, o PIB pode cair para 0,7% neste ano.

Angel Gurría, secretário-geral da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE, ou clube dos países ricos), afirmou em entrevista à BBC que o choque econômico já é maior do que a crise financeira de 2008 ou a de 2001, após os ataques de 11 de Setembro. Um crescimento global previsto para este ano de 1,5%, disse, já soa otimista demais.

Para driblar essa crise, as fintechs estão utilizando um marketing mais agressivo. Antes da pandemia, muitas empresas ainda não tinham migrado os seus serviços paras as mídias online e redes sociais como Facebook, Instagram, Twitter e WhatsApp. E, aquelas que já tinham conquistado esse espaço, precisaram ampliar os investimentos nessas redes para não perderem a visibilidade. Veja mais detalhes de como essas empresas estão se reinventando:

Como as fintechs estão agindo

Para atrair o consumidor e conquistar novas vendas, e assinaturas de contratos, as estratégias utilizadas por essas empresas têm sido as mais diversas: implantação de delivery, frete grátis, combo de produtos, serviços com preços especiais, parcelas, prazos e juros congelados, ou ainda, descontos nunca praticados. Além disso, elas precisaram adaptar e reforçar a divulgação da prestação de seus serviços para o formato online como, por exemplo, com apresentação de videoaulas, prática de exercícios, terapias e consultorias, tudo exclusivamente no ambiente digital.
Se bem elaboradas, essas estratégias podem trazer grandes resultados, pois segundo os especialistas do IX.br, projeto do Comitê Gestor da Internet no Brasil que promove infraestrutura dos Ponto de Intercâmbio de Internet, o isolamento social causado pelo vírus aumentou o consumo de internet semanalmente e causou mudanças no padrão de consumo da rede. O tráfego de dados usados em conferências de vídeo, serviços de streaming, notícias e sites de comércio virtual subiu desde a declaração da pandemia – principalmente nos países mais afetados.
Ainda de acordo com o IX.br, o período atual de acessos está muito parecido com o de um domingo – antes da crise. O fluxo começa com as pessoas iniciando os acessos pela manhã. Por volta do meio-dia, o uso da internet aparece de forma constante, com pico à noite, o horário de maior uso. Só o ponto de conexão em São Paulo alcança picos de quase 10 Tbps (terabits por segundo), suficientes pra transmitir 3,3 milhões de vídeos em streaming na qualidade de alta definição (HD).
A Anatel chegou até a recomendar a provedores que aumentem a capacidade fornecida aos usuários por causa da quarentena provocada pela doença, inclusive com acesso sem cobrança na franquia de dados para informações oficiais do Ministério da Saúde. As operadoras de telefonia, em posicionamento conjunto, afirmaram que “reforçaram o compromisso com a garantia de conectividade”.

Empréstimos para superarem a crise

Sentindo os primeiros efeitos da pandemia de coronavírus, algumas fintechs estão em busca de crédito para passar pela crise. Para as micro e pequenas empresas, a Caixa reduziu os juros de até 45% nas linhas de capital de giro, com taxas a partir de 0,57% ao mês. Além disso, nas operações parceladas de capital de giro e renegociação há uma carência de até 60 dias. A instituição e crédito oferece também as linhas de crédito especiais, com até seis meses de carência, para empresas que atuam nos setores de comércio e prestação de serviços, mais afetadas pelo momento atual.
O banco Santander aumentou em 10% os limites dos cartões de crédito do clientes adimplentes. Os clientes do Itaú poderão postergar o pagamento do financiamento da sua próxima parcela por 60 dias. Durante este período, será mantida a mesma taxa de juros, sem a cobrança de multa.
Segundo a fintech BizCapital, fundada em 2016 para oferecer empréstimos online para o setor, houve um aumento de 40% nos pedidos de empréstimo só na última semana — quando a Organização Mundial de Saúde declarou pandemia da doença.
A fintech Weel, que tem 15.000 empresas cadastradas, todas com faturamento médio a partir de 10 milhões de reais, também notou um aumento na procura por linhas de crédito. A empresa afirma que desde o início da crise do coronavírus na China houve um crescimento de 84% na procura por linhas de crédito para o setor de saúde. No total, a empresa estima que a demanda por capital de giro deva aumentar em 220% somente neste segmento.
Para atender as empresas diretamente relacionadas com esse setor, a fintech está abrindo um processo de análise específico, mais rápido, com linhas de valor até 250% maior que as de instituições tradicionais. A startup trabalha com antecipação de recebíveis de notas e depósitos, garantindo que as empresas tenham capital de giro.

Simples Nacional

O ministro da Economia, Paulo Guedes, já anunciou que o governo irá injetar 147 bilhões de reais na economia nos próximos três meses para blindar o país dos impactos do avanço do coronavírus.
Para proteger os empregos, o governo planeja tirar das empresas a responsabilidade de pagar o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) do trabalhador por três meses. Nessa esteira, as pequenas e médias empresas também ficam pelo mesmo período isentas de pagar o Simples, o que é estimado em 22 bilhões de reais de diferimento. Além disso, Guedes também anunciou que o Sistema S (Sesi, Sesc, Senai) ficará pelo mesmo período sem 50% das contribuições feitas pelo cidadão.

 

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